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Feira de San Telmo e mais!

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A Feira de San Telmo é o lugar comum mais legal que eu conheço em Buenos Aires. Por favor, eu insisto! Ninguém se arrepende de conhecer esse fundamental passeio portenho. Enfim, dizem que começa às 10h, porém, antes disso, a feira já estará montadinha esperando por nós, os turistas. Tomem um táxi até a Plaza Dorrego, onde fica bochincho e percam-se no labirinto de curiosas quinquilharias e antiguidades. Mesmo que não sejam apreciadores desse universo, o ambiente é tão peculiar que alguns o chamam de “La Republica de San Telmo”, sempre animada pelo tango e pela milonga, que invadem os quarteirões.

É tanta informação, que tonteia zanzar pela praça, assistir show de tango, entrar em quase todas as lojas de design e antiquários. Assim, parada obrigatória para tomar fôlego é o Café Notable El Federal, na esquina das Calles Carlos Calvo y Perú, onde está, desde 1864, servindo tapas e assados. Café, recomendo o que está no centro do Mercado de San Telmo, porque para ali chegar, há que atravessar um mar de quinqulharias, frutas, selos antigos, LPs, brinquedos de outrora, uniformes de escafandrista, e o que mais queira encontrar.

Voltando à Calle Dorrego vale atentar para as versões moderninhas de tangos dos milongueros do El Afronte (às vezes estão na frente da Igreja San Pedro Gonzalez Telmo, outras na Calle Estados Unidos, outras há que procurá-los) e perder-se novamente na miríade de tentadoras barraquinas de artesanato até a Mafalda, sentadinha na esquina com a Calle Chile que espera a todos para uma fotinho. Daí é só caminhar um pouco mais para chegar à conhecida Plaza de Mayo, onde se pode visitar o Cabildo, a Catedral Metropolitana e, com um pouco de fila e de paciência, a Casa Rosada. Para encerrar o passeio, escolha um café: ou o Café Tortoni ou a Confitería London City, ambos na Av. de Mayo. Recompensa merecida!

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Mafaldinha! <3

A gente encontra essas coisas

A gente encontra essas coisas

El Federal.

El Federal.

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A Profecia e a Construção Minecraft

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João Bosco nasceu na Itália em 1815 e tinha um dom. Ele previa eventos.  Certa feita vaticinou: “Entre os paralelos 15º e 20º havia um leito muito extenso, que partia de um ponto onde se formava um lago. Então, uma voz disse repetidamente: ‘Quando escavarem as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a grande civilização, a terra prometida, onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível’”.

O que há entre aqueles paralelos? Brasília, meus amigos. Dom Bosco, é o padroeiro da nossa capital e, por isso, ergueram-se muitas obras em homenagem a ele. A mais deslumbrante está escondida dentro do Santuário Dom Bosco, na W3 Sul. Dentro, porque o lado de fora não revela a imersão no azul infinito, mesclado com tons lilases, violetas e róseos. São 80 colunas góticas, com 15m de altura, entremeadas com 2,2m2 de vitrais em 12 tons azuis. Entrar no santuário é como ingressar em outra dimensão, em outro espaço, em outro mundo. Um mundo de contemplação e elevação espiritual. Para as crianças, em um mundo minecraft, como falou a que estava ao meu lado…

O projeto dos vitrais é do arquiteto Claudio Naves e executado pelo artesão belga Hubert Van Doorne. De dia, a luz do sol deita seus raios e tudo se tinge de céu, inclusive as pessoas. Quando a noite vem, um único ponto de luz interior se acende a partir de um lustre. São três toneladas, projetadas por Alvimar Moreira, compostas por 7.400 pequenos copos de vidro murano, pairando no centro da obra. Toda a luz intensifica o enorme crucifixo talhado por Gotfredo Traller, de Treze Tílias-SC, que em um único tronco de cedro, esculpiu Cristo com 8m de altura e 4,3m de envergadura. E, no topo das 12 portas do prédio, o texto do Apocalipse ensina sobre a morada de Deus.

 

 

3 toneladas sobre nós.

3 toneladas sobre nós.

Tesouro escondido

Tesouro escondido

12 tons de azul

12 tons de azul

 

 

 

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Sabes o D’Alessandro?

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O Dale, meia do Inter, sabes? Ele tem umas tatuagens e uma delas é bastante significativa… para os argentinos. Não é novidade que a Argentina é um país super-hiper Católico Apostólico Romano, está na Constituição Federal até. O dia da Pátria é comemorado na Catedral Metropolitana, junto à cripta do Libertador General San Martín, com a participação do Chefe de Estado, não tem desfile cívico-militar, é missa mesmo. No coração de muitos argentinos, entretanto, há um rincão especial para os milagres do Gauchito Gil, a devoção pagã mais argentina que conheci.

De norte a sul e de leste a oeste, rodando pelas maravilhosas rodovias argentinas, é possível ver uns pontos vermelhos surgindo na imensidão pampeana. No meio do nada, na vastidão verde, aparecem uns altares multi-enfeitados, sob a sombra de um arvoredo, na cor vermelho vivo para ser visto a quilômetros. São santuários para honrar o gaúcho Antonio Mamerto Gil Núñez, ou El Gauchito Gil, ou ainda Curuzú Gil, em guarani. A história do Gauchito é mais ou menos assim: Antonio Gil desertou por não querer participar de uma guerra fratricida entre colorados e celestes na Província de Corrientes lá pelo final do Séc. XIX.

Condenado à degola, obteve perdão. Ocorre que o executor não recebeu o mandado de soltura a tempo. Antonio Gil rogou-lhe que esperasse, porque o perdão estaria a caminho. Como o executor não aguardou, Gil disse-lhe que no momento que lhe chegasse o perdão, o executor receberia a notícia de que seu filho estaria desenganado por uma doença desconhecida, e, como derramaria sangue inocente, poderia rezar pedindo para que Gil intercedesse junto a Deus e curasse o guri. Gil foi degolado, o verdugo recebeu o mandado e soube que seu filho estava morrendo. Rezou, pediu perdão e o Gauchito Gil curou o piá.

Antonio Gil lutava do lado colorado, por isso a cor vermelha dos santuários. E pasmem! Onde o D’Alessandro foi mais exitoso em seu futebol? No Colorado. Sem falar que o River, onde o Dale iniciou sua jornada e foi titular, também é vermelho (colorado).  Se um dia observarem a panturrilha esquerda (acho que é a esquerda), quando não estiver com o indefectível meião, poderão ver o Gauchito ali, abençoando o Dale, sua perna e sua carreira. Detalhe importante, o Gauchito é mega vingativo, se prometerem algo em troca de um milagre, é melhor cumprirem…

São tantos os milagres atribuídos ao Gauchito e a devoção é tamanha, que um padre católico, Julián Zini, escreveu a letra de um chamamé em homenagem ao milagreiro.

Olhem aí o Gauchito tatuado.

Olhem aí o Gauchito tatuado.

É devoção forte!

É devoção forte!

Chegando ao Perito Moreno

Não percam El Calafate

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Calafate é uma frutinha vermelha deliciosa que dá o nome à cidade às margens do Lago Argentino. El Calafate, entretanto, é uma cidade muito conhecida pelo Glaciar Perito Moreno, um monumento natural tombado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Esse glaciar é uma massa de gelo, que avança sobre as águas do lago. Como está constantemente sob pressão, fratura-se, precipitando seus gigantescos pedaços sob um som impressionante que ecoa nas paredes de gelo. A possibilidade de caminhar sobre essa muralha gelada e o espetáculo das quedas de gelo atraem milhões de pessoas de todo o mundo e cada vez mais brasileiros. Bora?

A gigantesca cordilheira gelada mede aproximadamente 5 km de frente, 60m de altura e 120m de profundidade abaixo do nível da água. Leva o nome do geólogo, paleontólogo, arqueólogo e antropólogo Francisco Pascasio Moreno, muito conhecido por seu trabalho como perito nas demarcações de fronteira com o Chile a partir do ano de 1896. No campo patagônico, garantiu que essa obra da natureza fosse argentina, juntamente com os famosos Cerros El Chaltén e Fitz Roy. O perito não viu esse Glaciar, mas nós temos o privilégio de vê-lo e caminhar sobre ele. Não vai perder essa aventura, não é?

Uma excursão nos leva ao Parque Nacional de Los Glaciares onde começa a espetacular jornada que pode ser de 1h40min ou de 3h30min. Em um pequeno porto tomamos um catamarã para uma navegação de 20 minutos pelo Braço Rico. Para os que puderem fazê-la, recomendo bom agasalho impermeável, calça e blusa térmicas por baixo do jeans e do blusão, gorro e manta, mochila pequena para água e almoço, botas de trekking e luvas. No mais, um pouco de coragem para enfrentar o agressivo clima do paralelo 55°, chuva, neve, vento em pleno verão. Ainda assim, vale cada minuto de contemplação desse monumento majestoso das alturas da Cordilheira dos Andes.

 

Tudo que precisa é grampones e disposição.

Tudo que precisa é grampones e disposição.

Impressionante viagem no gelo.

Impressionante viagem no gelo.