Tag: Buenos Aires

Adán Jones

Tango!

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Não vou contar a história do Tango, muita gente tem crédito nessa obra-prima que levou algum tempo para conquistar os corações argentinos. Como os portenhos são bastante europeizados, foi somente após a França dar o seu chamegão que o Tango passou de saquarema para coisa de elite. No Palais de Glace, na Calle Posadas, a alta sociedade se reunia outrora para o sarau de Tango. Hoje, quem vai a Buenos Aires e não é bombardeado de ofertas para comprar shows? Com vans que recolhem turistas no hotel e levam para uma aula com janta (cena) e espetáculo? Quantas vezes escutei o testemunho desapontado de algum amigo que embarcou numa decepcionante experiência! Tudo é uma questão de expectativa, conto pra vocês a nossa.

Meu pai sempre me dizia, “Bah! Queria ter uma experiência de Tango original. Esses shows estão demasiadamente turísticos…”. O que uma filha faz diante de um pedido desses? Bem… vai em busca! E fui. Descobri que há espetáculos para todos os gostos e bolsos, com a mesma fórmula básica: transporte + aula + jantar + show. Diante de tantos, selecionamos quatro de destaque para recomendar aos amigos que chegavam e os classificamos em quatro categorias: “Exclusivo, Broadway, Década de Ouro e Básico de bom gosto”. São eles, respectivamente: Gala Tango, Señor Tango, Tango Porteño e La Ventana. Essa ordem obedece ao valor, do maior preço para o menos caro.

Todas as apresentações são majestosas, bem feitas, têm cantores de arrepiar, músicos cancheros. O Gala Tango é intimista, poucos comensais, o palco está junto do espectador e o jantar é refinado. No Señor Tango, o destaque é o show grandioso, para o qual não recomendo que levem crianças. O Tango Porteño, com seu ar art déco, capricha na indumentária e na orquestra, além de ter nomes de destaque no elenco. E no La Ventana há um excelente jantar-show pelo melhor preço. Entretanto, nenhum deles atende àquele pedido especial! No último minuto do segundo tempo, nossos superamigos argentinos, Maria e Nelson, nos levaram para o que considero o Tango na essência, roots, de raiz. Um lugar em que a penumbra, a luz, as pessoas, o clima conduzem-nos por um túnel a outra dimensão até o denso e dramático Tango, aquele onde há um código de posturas e de olhares e um gestual próprio. Foi a melhor noite de Tango que tivemos, e foi no La Viruta.

No simples e suburbano La Viruta tomamos aulas de tango, rock, salsa e milonga. Depois ficamos ali, pasmados com os portenhos, observando todo seu sutil código secreto, seu flerte próprio, seus meneios de cabeça e seus jeitos de moverem-se pelo salão. Não há jantar, apenas um tira-gosto e bebidas espirituosas. Até certa hora, os pequenos são permitidos, melhor ligar e se informar, reservar uma mesinha discreta, porque nas de pista é capaz de a gente errar os códigos. Não é show, na verdade é um mergulho nas profundezas daquele Tango que só os nativos conhecem, o original, o fundamental. É no La Viruta pai!

(Calle Armenia, 1366, Palermo, CABA, Buenos Aires, Argentina. Telefone (54911) 4775-0160, uatis: (54911) 2616-1122, clique aqui)

 

Bandoneon a full.

 

Move-te na milonguera!

 

Sexteto Visceral-chique.

 

 

 

 

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As 4 faces do Obelisco.

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Não veio a Buenos Aires quem não conhece o Obelisco do cruzamento das Avenidas 9 de Julio, Corrientes e Diagonal Norte. Está sobre a Plaza de la República, onde havia a igreja de São Nicolau de Bari. Foi construído em apenas 60 dias, na década de 1930, por ocasião do quarto centenário da primeira fundação de Buenos Aires. Cada um dos quatro lados homenageia uma efeméride. Ocorre que resolveram colocar as datas em números romanos e assim o visitante fica olhando o Obelisco, raciocinando “M, mil, D, quinhentos, CCC…” tentando decifrar o MMDC… e pensa, “Quer saber? Vou turistar!” Porém, após passar várias vezes por ali, detive-me um pouco para entender seu significado, que agora conto a vocês.

MDXXXVI (1536) foi o ano da fundação, por Pedro de Mendoza, da primeira cidade, Nuestra Señora Santa María del Buen Aire. Enfrentou muita peleia dos pampas, que dizimaram as tropas espanholas com flechas e boleaderas, tornando impossível a fixação de um povoado no local. Porém, a necessidade de saída segura para o Atlântico fez com que Juan de Garay, 44 anos depois, refundasse a cidade.  Garay parcelou as terras e, onde hoje está a Casa Rosada, mandou construir o Forte de Buenos Aires. Assim, na face sul, a efeméride é a segunda fundação da cidade, a que vingou, sob o comando de Juan de Garay em MDLXXX (1580). No lado leste, está, assim, o quarto centenário da primeira fundação, ano em que foi construído e inaugurado o monumento. Para complicar, o ano 1936 não consta e o visitante que faça as contas, somando os 4 centenários a MDXXXVI (1536).

Em MDCCCXII (1812), foi içada pela primeira vez a bandeira argentina na torre da Iglesia de San Nicolás de Bari, demolida para dar lugar à Avenida 9 de Julio. A bandeira foi idealizada por Manuel Belgrano. Todo povo nutre um amor especial pela bandeira de seu país, mas devo reconhecer que o argentino gosta de ostentar esse amor, e não deixaria faltar uma homenagem. A face norte do obelisco destaca o primeiro içamento da bandeira celeste. O lado oeste destaca a federalização da cidade de Buenos Aires. Contra isso se opunha a Província de Buenos Aires, porém as demais províncias apoiavam a medida. Houve uma revolução em 1874 entre os Unitaristas de Bartolomé Mitre e os Autonomistas de Nicolás Avellaneda. Como venceram os autonomistas, a cidade passou a ser autônoma, e hoje a chamamos de Ciudad Autónoma de Buenos Aires (CABA). No Obelisco, estão homenageados Avellaneda, porque foi ele quem apresentou o projeto de lei ao Senado Federal, e Julio Argentino Roca, porque foi o presidente que sancionou a lei em MDCCCLXXX (1880).

Assim, embora reconhecido como símbolo argentino, a obra enaltece a cidade de Buenos Aires, Capital Federal. A construção tem 67,5 metros de altura, conta com uma escada de 206 degraus até as janelas e, curiosamente, em um compartimento interior da estrutura, contém uma carta destinada àqueles que o quiserem demolir no futuro.

2a Fundação (sul) e 4o. centenário da primeira (leste)

Face norte homenageando a bandeira celeste

A federalização a oeste

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DIA 04/06 APROXIMA-SE: PASSAGEM PARA O ALÉM

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Poucos se dão conta da influência italiana em Buenos Aires. Com alguma atenção, é possível, porém, confundir o espanhol rio-platense com o italiano. Pra mim, o símbolo mais significativo da Itália ali é a mística Pasaje Barolo (Av. de Mayo, 1370), próximo ao Congresso Nacional. No início do século XX mandaram construir uma enorme tumba para abrigar os restos mortais de Dante Alighieri. E a fizeram com tal empenho, que é impossível não sentir o sinistro ar da Divina Commedia e o enigmático traçado da Maçonaria ao adentrar no edifício.

É uma construção esotérica, maçônica e dantesca se eleva um tanto escondida pelos plátanos, apesar de sua altura. A mando do industrial têxtil Luigi Barolo, em 1919, o arquiteto Mario Palanti elaborou um complexo esquema em estilo eclético, no qual os estudiosos de Dante e de Maçonaria poderiam utilizá-lo, com tranquilidade, como um meio de “leitura” e ensino. Todos os elementos que compõem o prédio têm um significado a ser desvendado, ora maçônico, ora dantesco. Assim como são 100 os cantos e 22 as estrofes dos versos da obra de Alighieri, o prédio tem 100 metros de altura e 22 pisos. Esta pretendia ser a morada eterna de Dante, mas Barolo não convenceu o Governo Italiano e o que era para ser uma tumba, vicejou como um monumento.

O edifício está dividido em 3 partes, como o poema: inferno, purgatório e céu. A entrada é pela representação do inferno. Ali, dragões com bolas de fogo dão as boas-vindas e o hall está coalhado de símbolos da Maçonaria. Tanto Barolo, quanto Palanti eram maçons e caprichosamente gravaram no teto do inferno frases de Dante, usadas por maçons, tais como, “usa tua palavra como um ornamento”, “toda beleza forma uma unidade”, “corpo e alma vê e detecta o quão ruim é agradar a todos.” (em tradução livre). Pagando, é possível fazer uma visita guiada que te levará através do purgatório e, aos mais corajosos, até o Jardim do Éden. O caminho para a expiação vai do piso 1 até o 14, cada dois lances representando um pecado capital. Porém, do 14º. até o 22º. piso, estão os oito corpos celestes da Divina Comédia que conduzem ao Epíreo, a última esfera do Paraíso, a morada da Luz Divina. E podemos chegar lá!

Essa luz é um farol dentro de uma redoma de vidro, onde o visitante entra e, dali, vislumbra a imensidão de Buenos Aires, as águas do Rio de La Plata e avista o Uruguai. Assim como descreveu Dante, o caminho até lá, vai-se estreitando e serpenteando. Junte coragem, fôlego e contorcionismo e chegará bem até o Paraíso.  Do outro lado do Rio, em Montevidéu, existe um prédio gêmeo ao Barolo, chama-se Palácio Salvo (com 95m de altura e 27 pisos, na Plaza Independência, 848), que também tem um farol. Todos os dias 04/06, exatamente entre 7:45h e 8h o cruzeiro do sul se alinha com os dois faróis. Há quem sustente que isso abre uma passagem mística e que as luzes apontam um caminho para o Além. Parece que teve gente que até sumiu aí. Podes ir conferir, se voltares, conta-nos!

Tudo sobre visitas guiadas diurnas e noturnas aqui.

PS.: sem fotos da Visão do Paraíso, para não estragar a surpresa!

Esse texto é em homenagem ao amigo e viajeiro Leandro.

Recepção

Estátua de Dante ao centro, vista do Purgatório.

A caminho dos céus (pode ir por elevador também)

Visão do Inferno

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Feira de San Telmo e mais!

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A Feira de San Telmo é o lugar comum mais legal que eu conheço em Buenos Aires. Por favor, eu insisto! Ninguém se arrepende de conhecer esse fundamental passeio portenho. Enfim, dizem que começa às 10h, porém, antes disso, a feira já estará montadinha esperando por nós, os turistas. Tomem um táxi até a Plaza Dorrego, onde fica bochincho e percam-se no labirinto de curiosas quinquilharias e antiguidades. Mesmo que não sejam apreciadores desse universo, o ambiente é tão peculiar que alguns o chamam de “La Republica de San Telmo”, sempre animada pelo tango e pela milonga, que invadem os quarteirões.

É tanta informação, que tonteia zanzar pela praça, assistir show de tango, entrar em quase todas as lojas de design e antiquários. Assim, parada obrigatória para tomar fôlego é o Café Notable El Federal, na esquina das Calles Carlos Calvo y Perú, onde está, desde 1864, servindo tapas e assados. Café, recomendo o que está no centro do Mercado de San Telmo, porque para ali chegar, há que atravessar um mar de quinqulharias, frutas, selos antigos, LPs, brinquedos de outrora, uniformes de escafandrista, e o que mais queira encontrar.

Voltando à Calle Dorrego vale atentar para as versões moderninhas de tangos dos milongueros do El Afronte (às vezes estão na frente da Igreja San Pedro Gonzalez Telmo, outras na Calle Estados Unidos, outras há que procurá-los) e perder-se novamente na miríade de tentadoras barraquinas de artesanato até a Mafalda, sentadinha na esquina com a Calle Chile que espera a todos para uma fotinho. Daí é só caminhar um pouco mais para chegar à conhecida Plaza de Mayo, onde se pode visitar o Cabildo, a Catedral Metropolitana e, com um pouco de fila e de paciência, a Casa Rosada. Para encerrar o passeio, escolha um café: ou o Café Tortoni ou a Confitería London City, ambos na Av. de Mayo. Recompensa merecida!

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Mafaldinha! <3

A gente encontra essas coisas

A gente encontra essas coisas

El Federal.

El Federal.

O imcompreensível Wayra!

O que é Fuerza Bruta?

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Dizem que “é um fenômeno inevitável, o resultado de milhões de anos. Tem origem no fundo do oceano, no fundo dos copos, no caminhar pelas calçadas. Fuerza Bruta não serve para nada. É.”. Traduzindo, é um show impressionante, ali no nevrálgico centro turístico da Recoleta. O grupo Fuerza Bruta apresenta um espetáculo surreal, o Wayra, que nos tira o fôlego e nos faz ter uma experiência única na vida.

Não há lugares marcados, não há cadeiras, a assistência permanece em pé por uma hora e participa do show constantemente! Nada pode ser dito além de que, se tiveres oportunidade de estar nesse show visual-acústico-sensorial, não perca! As funções acontecem de quartas a domingos e, nas sextas-feiras, a última sessão se estende ao som do DJ da casa. Já andou na China, na Rússia, nos EUA, no Reino Unido, na Irlanda, na Alemanha, na França, até no Brasil.

Alguém pode pensar, ah, isso não é pra mim. Bem, se não abrir mão do salto alto, ficará um tanto complicado. Todos comparecem muito à vontade, com seu tênis. É recomendado para todas as idades acima dos 8 anos, porque não se pode carregar gente no colo ou nos ombros. Não há qualquer cena imprópria. Sempre há gente de 8 a 90 anos, basta que consiga participar. Deixo umas fotos, para dar uma pequeníssima ideia do que seja e um aviso, farás parte de um feito, de uma realidade paralela delirante, sem tradução, sem anestesia. (Fica lá no fundão do Centro Cultural Recoleta, Junín, 1.930, Bairro Recoleta, Buenos Aires, Argentina)

O impressionante Wayra!

O impressionante Wayra!

O inexplicável Wayra!

O inexplicável Wayra!

 

O imcompreensível Wayra!

O imcompreensível Wayra!

O surreal Wayra!

O surreal Wayra!