O Dale, meia do Inter, sabes? Ele tem umas tatuagens e uma delas é bastante significativa… para os argentinos. Não é novidade que a Argentina é um país super-hiper Católico Apostólico Romano, está na Constituição Federal até. O dia da Pátria é comemorado na Catedral Metropolitana, junto à cripta do Libertador General San Martín, com a participação do Chefe de Estado, não tem desfile cívico-militar, é missa mesmo. No coração de muitos argentinos, entretanto, há um rincão especial para os milagres do Gauchito Gil, a devoção pagã mais argentina que conheci.

De norte a sul e de leste a oeste, rodando pelas maravilhosas rodovias argentinas, é possível ver uns pontos vermelhos surgindo na imensidão pampeana. No meio do nada, na vastidão verde, aparecem uns altares multi-enfeitados, sob a sombra de um arvoredo, na cor vermelho vivo para ser visto a quilômetros. São santuários para honrar o gaúcho Antonio Mamerto Gil Núñez, ou El Gauchito Gil, ou ainda Curuzú Gil, em guarani. A história do Gauchito é mais ou menos assim: Antonio Gil desertou por não querer participar de uma guerra fratricida entre colorados e celestes na Província de Corrientes lá pelo final do Séc. XIX.

Condenado à degola, obteve perdão. Ocorre que o executor não recebeu o mandado de soltura a tempo. Antonio Gil rogou-lhe que esperasse, porque o perdão estaria a caminho. Como o executor não aguardou, Gil disse-lhe que no momento que lhe chegasse o perdão, o executor receberia a notícia de que seu filho estaria desenganado por uma doença desconhecida, e, como derramaria sangue inocente, poderia rezar pedindo para que Gil intercedesse junto a Deus e curasse o guri. Gil foi degolado, o verdugo recebeu o mandado e soube que seu filho estava morrendo. Rezou, pediu perdão e o Gauchito Gil curou o piá.

Antonio Gil lutava do lado colorado, por isso a cor vermelha dos santuários. E pasmem! Onde o D’Alessandro foi mais exitoso em seu futebol? No Colorado. Sem falar que o River, onde o Dale iniciou sua jornada e foi titular, também é vermelho (colorado).  Se um dia observarem a panturrilha esquerda (acho que é a esquerda), quando não estiver com o indefectível meião, poderão ver o Gauchito ali, abençoando o Dale, sua perna e sua carreira. Detalhe importante, o Gauchito é mega vingativo, se prometerem algo em troca de um milagre, é melhor cumprirem…

São tantos os milagres atribuídos ao Gauchito e a devoção é tamanha, que um padre católico, Julián Zini, escreveu a letra de um chamamé em homenagem ao milagreiro.

Olhem aí o Gauchito tatuado.

Olhem aí o Gauchito tatuado.

É devoção forte!

É devoção forte!